As pessoas impõem demais as suas verdades sobre nós, talvez se esquecendo que nós também temos as nossas próprias verdades. Estou farta de carregar os pesos dos julgamentos, quando na verdade, já estou sangrando sozinha há, dias, meses, anos... Ninguém quer estancar as nossas feridas, porque as pessoas tem suas próprias feridas para cuidar. Mas querem colocar os dedos nas nossas para se sentirem menos solitárias. A dor de um ansioso é 3x maior. O peso das palavras caem 3x maior sobre nossos ombros. Mas eu já aprendi. Ninguém tá nem aí e é isso mesmo. A vida é uma m*rda. Quem diz esquece. Quem escuta jamais deixará de ecoar as mesmas palavras dentro do coração. Apenas parem de me julgar só por um dia. Eu só quero descansar um diazinho. Já bastam os julgamentos que faço de mim mesma.
Hoje acordei e me senti deslocada. Assim, sem pertencer a lugar nenhum. Todos os meus lugares favoritos se foram, se perderam por aí. Vi fotos de reencontros, amizades, e eu não estava em nenhuma. Me perdi no espaço tempo. Fiquei por aqui mesmo. Mas logo percebi. O preço que pagamos por querer nos sentir vivos, saudáveis, espirituais e bem sucedidos é muito alto. Deixamos pessoas, lugares, fotos, reencontros, deixamos tudo para trás. Ser uma mulher lutadora me transformou em uma águia solitária. E no fim, acho que era tudo isso que eu queria. Sou uma mulher bem sucedida. Sou uma mulher lutadora. Sou uma água férrea.
Meu corpo pesa muito, pois sente medo de eu ultrapassar meus limites. Dói por antecipação, pra não deixar que eu me traia de novo. A dor nada mais é que um aviso silencioso do caos, aquele presságio de ansiedade, a fúria de um corpo já negligenciado. Ele guarda memória em cada músculo tenso, como se estivesse sempre alguns passos à frente de mim, tentando prever onde eu posso cair. É um alarme que dispara antes mesmo do perigo existir por completo, e eu sinto. Tem dias em que parece exagero, mas é tudo aquilo que foi engolido quando eu deveria ter dito algo, é cada limite ignorado pra caber em situações que nunca foram feitas pra mim. Meu corpo aprendeu a reagir antes da mente entender, porque já cansou de esperar eu perceber tarde demais. Só que no meio disso tudo, existe um convite meio torto: escutar. Porque essa dor, mesmo insistente, ainda é cuidado. Uma tentativa de me manter inteira. Então eu paro. Respiro mesmo que falhe no começo. Tento negociar com esse corpo que parece duro,...
Comentários