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Relatos nada atrozes do meu coração (Parte II)

"Deixei esse besteirol de fugir de tudo. Peguei minha AR-15 imaginária e fuzilei meus medos. Quero ser humana também e dilacerar as amarras dos meus desejos. É difícil gritar quando se está explodindo por dentro, mas é impossível conter a dor incendiária e perdurável. " – 2013 Olhares, muitas vezes, são mais profundos que as palavras. Desaprendi a escrever, mas continuo sentindo dor. Continuo esmurrando a mesma faca cega todos os dias. Eu continuo explodindo por dentro. Mas as palavras não saem. O grito que sai do meu peito é ensurdecedor, mas ninguém é capaz de ouvir urros silenciosos. Porque eu aprendi a sangrar sozinha. A dor de uma mulher ferida jamais será sentida pelos outros. Uma mulher ferida jamais deixará alguém tocar seu coração.

A dor do outro é um lugar desconfortável

 As pessoas dizem estar preocupadas conosco, mas na verdade é só mais um dia em que elas tentam impor as suas verdades sobre nós. Dizem estar preocupadas, mas quando estive em meus piores momentos, as mesmas se calaram. Me viram cair e viraram as costas completamente. Quando me reergui, voltei do fundo do poço, me segurei e me mantive forte, essas mesmas pessoas disseram que me entreguei. Me desculpem, mas eu não quero a preocupação, nem pena, muito menos a ajuda de vocês. Se cheguei até aqui foi sangrando, lutando e enfrentando batalhas que só Deus via dentro de meu coração. Quero que vocês se f*dam com as suas verdades e as suas experiências de vida que são completamente diferentes da minha.

Mulheres lutadoras não tem lugar, elas voam

 Hoje acordei e me senti deslocada. Assim, sem pertencer a lugar nenhum. Todos os meus lugares favoritos se foram, se perderam por aí. Vi fotos de reencontros, amizades, e eu não estava em nenhuma. Me perdi no espaço tempo. Fiquei por aqui mesmo. Mas logo percebi. O preço que pagamos por querer nos sentir vivos, saudáveis, espirituais e bem sucedidos é muito alto. Deixamos pessoas, lugares, fotos, reencontros, deixamos tudo para trás. Ser uma mulher lutadora me transformou em uma águia solitária. E no fim, acho que era tudo isso que eu queria. Sou uma mulher bem sucedida. Sou uma mulher lutadora. Sou uma água férrea.

Onde estou eu?

Onde eu estou quando mais preciso? Acordar, levantar e tomar café. Todos os dias uma luta diária dentro de mim. As dores do meu corpo não me deixam mais ser quem sou, mas nem de longe chegam perto das dores de minha alma.    Onde eu estou? Eu preciso de mim agora! Mas não consigo mais levantar bem. Não consigo mais estar ao meu lado. Eu estou só. 

Desabafo noturno

Cada dia as minhas tentativas de dormir bem tornam-se mais árduas. Os remédios já não funcionam da mesma forma, as meditações ajudam de forma limitada e dentro de seus padrões e a minha insistência em calar a minha mente e descansar também se torna uma regra ditatorial. Meus pensamentos me consomem. São muitas vozes falando ao mesmo tempo em minha mente e não consigo escutar o que pelo menos uma delas quer me dizer. São mil mulheres em uma só. Mil afazeres, mil razões, mil problemas e duas mil soluções. Eu só quero dormir sossegada e trabalhar bem amanhã.

A inquietude de um coração vazio

Todas as noites antes de dormir é a mesma coisa. Atualiza agenda, vê novela, liga a luminária, lê um livro e tenta dormir. Apenas tenta. A inquietude dentro do coração é a mesma todos os dias, a taquicardia, a sensação de afogamento e dor de estômago me fazem virar de um lado para o outro até às duas da manhã. Toma remédio, bebe água e vai ao banheiro. A rotina é a mesma sempre e nada do coração parar de sentir o vazio. O vazio me corrói por dentro por horas, a confusão mental que isso me traz reflete na saúde do meu corpo. Meu destino diário é acordar cansada, me preparar psicologicamente para o trabalho para quando chegar a noite, atualizar a agenda, ver novela, ligar a luminária e ler um livro. A noite de amanhã será a mesma.

Dona de mim

Hoje tive várias conquistas. Mas mesmo assim ainda prossigo com o coração na mão. Ansiosa e esperançosa de conseguir alcançar sempre meus objetivos sentimentais. Mas ainda hoje decidi que não vou mais me sustentar com migalhas. Cansei de insistir por mim mesma e sempre dar o braço a torcer quando é preciso. Hoje, com o coração na mão, decidi ser minha. Só minha. Amanhã talvez eu mude de ideia, amanhã talvez eu seja mais maleável ou acredite mais no amor. Mas hoje só acreditarei em mim mesma e em como sou a mulher mais incrível deste planeta. Sou amor de mim mesma. Minha dona. Minha amada.