Eu me lembro, quando eu olhava, com toda a vontade de estar tocando lá também, eu me sentia feliz em estar ouvindo beatles, ou familia adams. Até que eu realizei meu sonho, e entrei. Mas em um momento me sinto culpada por não poder continuar com esse sonho, por justamente quando eu entro, tudo se estraga. Mas também quero dizer que todos aqueles ensaios significaram muito pra mim, mesmo que não haja apresentação alguma. Algum dia eu me senti capaz de participar de uma das famílias mais lindas do colégio, mesmo não fazendo parte direito, e ano que vem, se houver todo esse sonho denovo, eu vou estar lá pra participar.
A dor da antecipação
Meu corpo pesa muito, pois sente medo de eu ultrapassar meus limites. Dói por antecipação, pra não deixar que eu me traia de novo. A dor nada mais é que um aviso silencioso do caos, aquele presságio de ansiedade, a fúria de um corpo já negligenciado. Ele guarda memória em cada músculo tenso, como se estivesse sempre alguns passos à frente de mim, tentando prever onde eu posso cair. É um alarme que dispara antes mesmo do perigo existir por completo, e eu sinto. Tem dias em que parece exagero, mas é tudo aquilo que foi engolido quando eu deveria ter dito algo, é cada limite ignorado pra caber em situações que nunca foram feitas pra mim. Meu corpo aprendeu a reagir antes da mente entender, porque já cansou de esperar eu perceber tarde demais. Só que no meio disso tudo, existe um convite meio torto: escutar. Porque essa dor, mesmo insistente, ainda é cuidado. Uma tentativa de me manter inteira. Então eu paro. Respiro mesmo que falhe no começo. Tento negociar com esse corpo que parece duro,...

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