Talvez eu seja tão individualista quanto você, ou até mais. Mas eu sempre deixei de pensar em mim, pra pensar nas pessoas, eu não sou de ferro, tenho meus momentos infantis, como todos tem, eu não sou perfeita, sou feita de carne como você. Então a cada dia que passar, eu vou tentar melhorar esse meu lado de julgamento, e olhar pro meu eu inverso. Eu juro que vou tentar, mas nunca vou deixar de pensar em mim também, pois eu sou humana, e mereço um pouco de liberdade mental, até mais do que você pense. Sofro tanto quanto.
A dor da antecipação
Meu corpo pesa muito, pois sente medo de eu ultrapassar meus limites. Dói por antecipação, pra não deixar que eu me traia de novo. A dor nada mais é que um aviso silencioso do caos, aquele presságio de ansiedade, a fúria de um corpo já negligenciado. Ele guarda memória em cada músculo tenso, como se estivesse sempre alguns passos à frente de mim, tentando prever onde eu posso cair. É um alarme que dispara antes mesmo do perigo existir por completo, e eu sinto. Tem dias em que parece exagero, mas é tudo aquilo que foi engolido quando eu deveria ter dito algo, é cada limite ignorado pra caber em situações que nunca foram feitas pra mim. Meu corpo aprendeu a reagir antes da mente entender, porque já cansou de esperar eu perceber tarde demais. Só que no meio disso tudo, existe um convite meio torto: escutar. Porque essa dor, mesmo insistente, ainda é cuidado. Uma tentativa de me manter inteira. Então eu paro. Respiro mesmo que falhe no começo. Tento negociar com esse corpo que parece duro,...

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