Meu corpo pesa muito, pois sente medo de eu ultrapassar meus limites. Dói por antecipação, pra não deixar que eu me traia de novo. A dor nada mais é que um aviso silencioso do caos, aquele presságio de ansiedade, a fúria de um corpo já negligenciado. Ele guarda memória em cada músculo tenso, como se estivesse sempre alguns passos à frente de mim, tentando prever onde eu posso cair. É um alarme que dispara antes mesmo do perigo existir por completo, e eu sinto. Tem dias em que parece exagero, mas é tudo aquilo que foi engolido quando eu deveria ter dito algo, é cada limite ignorado pra caber em situações que nunca foram feitas pra mim. Meu corpo aprendeu a reagir antes da mente entender, porque já cansou de esperar eu perceber tarde demais. Só que no meio disso tudo, existe um convite meio torto: escutar. Porque essa dor, mesmo insistente, ainda é cuidado. Uma tentativa de me manter inteira. Então eu paro. Respiro mesmo que falhe no começo. Tento negociar com esse corpo que parece duro,...
Não sou do tipo de pessoa que pensa no futuro, mas nestes últimos dias de férias tenho pensado. Em como vou ser, e em como meu eu-interior irá crescer. Não tenho raiva de mim mesma por isto, tenho a impressão de que todas as peças do quebra-cabeça que montei no ano passado estão mudando as suas formas. Ouço um profundo caminho chamando meu nome, o futuro quer ver meus olhos de perto. Até ontem eu desejava só viver o presente, hoje quero saber como será o presente do amanhã.
Sem saber como escrever, e do que escrever, vou me expressando. Assim, sem distinguir o que é rumo, não saber o significado de perfeito, e nem pensar em ser.
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