Deixar Morrer
Não é a roupa mais bonita que vai me animar hoje. Nem as melhores palavras dariam a validação que eu pensei que precisava. Tem dias em que nada de fora encosta no que está acontecendo por dentro.
Viver é isso: um processo lento de deixar morrer quem a gente foi ontem. Não tem glamour. Na verdade, cansa.
De repente, tudo parece raso. Conversas, planos, promessas... O que antes importava perde o peso. Fica banal.
E aí sobra o que arde. Sobra o que sangra. E sangrar não deveria ser fraqueza. Sangrar é humano. É sentir sem maquiagem, sem discurso bonito, sem tentar transformar caos em palco iluminado.
Tem algo quase cruel nessa lucidez. Ela tira as camadas, arranca as distrações. Ainda assim, existe uma doçura ali, discreta e firme. A doçura de quem para de fugir de si mesma e entende que sentir profundamente ainda é estar viva.
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