Existir pesa

Tem dias que existir pesa muito. Dói o corpo, dói a mente, dói a alma. Tudo fica mais lento, como se o mundo girasse em outra velocidade e eu tivesse ficado pra trás, tentando alcançar algo que nem sei nomear direito. O silêncio faz barulho, o cansaço se espalha pelos cantos e até respirar parece exigir esforço demais.

Tem dias em que a gente carrega lembranças como quem arrasta caixas cheias, sem saber onde deixar. O peito aperta, a cabeça gira, e a vontade é só de encontrar um lugar onde tudo isso possa descansar um pouco.

No meio desse peso, alguma coisa insiste. Um fio de vontade, um resto de coragem, uma faísca que recusa apagar. Talvez seja só o hábito de continuar, talvez seja algo mais profundo, algo que ainda acredita mesmo quando tudo dentro questiona.

Mesmo devagar, eu sigo. Meio torta, meio cansada, mas sigo. Porque em algum lugar dentro de mim existe um pedaço que sabe: isso também passa, isso também se transforma, isso também ensina. Quando o peso diminui, mesmo que só um pouco, dá pra sentir que existir também pode ser leve.

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