Frescor suave
Abro as janelas de dentro, aquelas que a poeira do hábito insistia em manter emperradas, e deixo que o ar renovado leve consigo o peso que não me pertence mais.
Há um rastro de ontem que se arrasta como sombra em dia de sol a pino, mas percebi que carregar o que já se foi é como tentar guardar o vento em frascos de vidro: um esforço inútil que só serve para ferir os próprios punhos.
O passado é um mestre generoso, mas um carcereiro cruel; então entrego ao tempo o que é do tempo, desamarro os nós que eu mesma apertei e observo as cordas caírem sem pressa, transformando o cárcere em frescor suave.
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