Jardins

 Ela destruiu o próprio jardim e levou flores até ele.

Não por obrigação, não por expectativa. Só porque cresceu e queria compartilhar o que aprendeu.
Esperava atenção, cuidado, talvez um reflexo da própria coragem.

Olhou pra si mesma e percebeu o vazio que ainda carregava.
Nem tudo pode ser compartilhado. Algumas sementes só crescem em quem as planta.

O que sufocava foi cortado. A luz entrou onde antes havia sombra.
Raízes se firmaram após o temporal, firmes na própria força, sem esperar aplausos.

Restaram reflexões silenciosas. Palavras não ditas. Partes de si que apodreceram antes de serem vistas.
Caminha, entendendo que cada consequência nasce do que decidiu cultivar. Crescer sozinho também é sobreviver.

Ele olhou pra própria vida e encontrou um quintal ralo.
Talvez admirasse o jardim de longe, talvez sentisse algo que não sabia nomear.
Nunca quis assumir a responsabilidade de cuidar.

O jardim não floresceu pra ser notado.
Floresceu porque precisava existir.

Jardim não suplica. Não espera. Não pede.
Jardim cresce.

Reflexões do Baralho Lenormand

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