Nada floresce no excesso
Houve um tempo de pausa. Não vazio, apenas contido, um recuo silencioso em que tudo se reorganizava por dentro, longe do barulho e longe das pressas do mundo.
Foi nesse silêncio que eu me refiz. Sem ruptura e sem anúncio. O que pesava se dissipou devagar. O que era essencial permaneceu, ganhando espaço, respirando comigo, pedindo apenas cuidado e atenção.
O antúrio também seguiu seu ritmo. Passou pelo tempo sem cor, sem jamais perder presença. E quando voltou a ruborizar, não precisou anunciar nada. Apenas se mostrou pronto, com delicadeza, inteiro no próprio tempo.
Hoje me reconheço nesse mesmo gesto. Volto mais inteira, mais serena, com menos urgência e mais presença. A cor não retorna para ser vista; retorna quando há base, quando há profundidade. O resto, naturalmente, deixa de importar.
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