Rei De Espadas
Eu sei quando acontece.
O corpo sente antes da cabeça. Uma luz antiga atravessa por dentro, silenciosa e precisa. Não avisa. Não erra. É um calor fino e cirúrgico, impossível fingir que não deixou marca.
Ele aparece primeiro, quando o Sol ainda não é dia. Não traz conforto. Como um Rei de Espadas, frio e atento, invade pelas brechas, encontra o que eu pensei ter selado, acende tudo por um segundo perigoso.
Ainda arde porque me quebrou no ponto certo. Porque me virou do avesso e gostou. Sob essa luz eu fiquei inteira, exposta e sem álibi. Arde porque me atravessou de um jeito que eu não vi chegar, não consegui evitar, e que eu não vou permitir de novo.
Deixa a marca, deixa a dúvida, deixa o silêncio cortando como lâmina. Mas sei: ele volta. Sempre volta.
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