As pessoas me dizem que nunca viram o que eu sou, e com olhar de deboche me desafiam. Dizem ser melhores do que eu, mais normal, mais altos, mais bonitos, inteligentes, talentosos. Mas me orgulho de ser diferente. Pois construo a mim mesma com as minhas irreverências. Não preciso da opnião das pessoas para ser feliz, nasci para agradar somente ao Meu Senhor. E não há ninguém nesse mundo que tenha o direito de me julgar, e nem eu ao próximo.
A dor da antecipação
Meu corpo pesa muito, pois sente medo de eu ultrapassar meus limites. Dói por antecipação, pra não deixar que eu me traia de novo. A dor nada mais é que um aviso silencioso do caos, aquele presságio de ansiedade, a fúria de um corpo já negligenciado. Ele guarda memória em cada músculo tenso, como se estivesse sempre alguns passos à frente de mim, tentando prever onde eu posso cair. É um alarme que dispara antes mesmo do perigo existir por completo, e eu sinto. Tem dias em que parece exagero, mas é tudo aquilo que foi engolido quando eu deveria ter dito algo, é cada limite ignorado pra caber em situações que nunca foram feitas pra mim. Meu corpo aprendeu a reagir antes da mente entender, porque já cansou de esperar eu perceber tarde demais. Só que no meio disso tudo, existe um convite meio torto: escutar. Porque essa dor, mesmo insistente, ainda é cuidado. Uma tentativa de me manter inteira. Então eu paro. Respiro mesmo que falhe no começo. Tento negociar com esse corpo que parece duro,...

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